ELY INGLÊS TRANSFORMA EXPERIÊNCIAS E DESAFIOS EM ARTE NA EXPOSIÇÃO “AMAKA”
AMAKA
O artista plástico Ely Inglês inaugurou, na sexta-feira, a sua primeira exposição individual em Angola, intitulada “Amaka”, consolidando a sua presença no panorama das artes visuais contemporâneas. A mostra reúne 16 obras que exploram, através da pintura, elementos da cultura angolana, identidade, terra e toques de surrealismo, e estará aberta ao público até 20 de Março, no espaço expositivo em Luanda.
Em declarações ao Jornal de Angola, Ely Inglês explicou que a exposição, intitulada “Amaka – a beleza que nasce na dificuldade”, é fruto de uma residência artística organizada pela Palomino-Artes e curadoria de Imaculada Tchitanga. Antes de chegar a Luanda, a mostra esteve exposta no Gana e na Nigéria, trazendo uma proposta de reflexão sobre resiliência, superação e a transformação do sofrimento em expressão criativa.
A temática central da exposição, inspirada no conceito “Mona” — que significa “filho” em português — direciona-se ao público juvenil e aborda, por meio da pintura, os desafios e as dificuldades que cada jovem carrega consigo. Segundo Ely Inglês, o desenvolvimento do tema representou um desafio, mas permitiu conectar traços da cultura urbana e angolana de forma profunda e sensível.
Entre as obras apresentadas, destacam-se “Mona Yha Maria”, “Mona Luísa”, “Yasiel Palomino”, “Auto-Retrato”, “Jogo da Vida I e II”, “Flor I e II”, e “Caos I e II”. Durante a inauguração, “Mona Luísa” chamou atenção pelo retrato feminino de olhar intenso e introspectivo, construído com pinceladas densas em tons terrosos, verdes profundos e nuances azuladas, criando uma atmosfera emocionalmente carregada.
Outra obra que se destacou foi “Auto-Retrato”, retrato masculino construído com pinceladas soltas, sobrepostas e expressivas, em cores vibrantes como vermelho, verde e azul, transmitindo emoção mais do que fidelidade ao real. Já “Yasiel Palomino” apresentou uma figura masculina de meia-idade, combinando realismo com gestualidades fragmentadas, num sorriso ambíguo que desperta curiosidade e ligeiro desconforto no observador.
Ely Inglês aponta influências de grandes nomes das artes plásticas, como o norte-americano Jean-Michel Basquiat, pela liberdade expressiva e pela atenção a retratos de crianças, e Vincent Van Gogh, notável pelas paisagens, flores e auto-retratos que marcaram a história da pintura mundial.
O artista avaliou positivamente o cenário artístico angolano, destacando o surgimento de novos talentos e a consolidação gradual de um mercado promissor. Para 2026, Ely Inglês anunciou participação no Festival Internacional de Arte Urbana, no Brasil, em 25 de Março, em conjunto com outros artistas de renome.
A sua prática multidisciplinar, que inclui participação em exposições como “Os Novíssimos” na Galeria Plano B, reforça a sua posição como artista versátil e inovador. A combinação de técnica, sensibilidade urbana e criatividade faz de Ely Inglês uma figura de destaque no desenvolvimento e consolidação da arte contemporânea em Angola.




