MIA COUTO PEDE CENTROS DE ACOLHIMENTO PARA EVITAR USO DE ESCOLAS COMO REFÚGIO
Escritor Moçambicano Mia Couto
O escritor moçambicano Mia Couto defendeu nesta quarta-feria a construção de centros de acolhimento para evitar que escolas sirvam de refúgio para vítimas de desastres naturais, o mais recente com quase 300 mortos e mais de um milhão de afectados.
“Estamos a ver só uma repetição daquilo que é realmente a metáfora do que é que pode ser uma escola. É bonito, mas não como num momento em que é trágico porque a escola não deve servir para isso”, disse o escritor Mia Couto, durante uma aula aberta na Universidade Pedagógica de Maputo, onde abordou os impactos das cheias e a necessidade de soluções estruturais para proteger populações em risco.
O escritor sublinhou que, apesar de as escolas funcionarem como abrigo por falta de alternativas, essa realidade deve ser superada com investimento em infraestruturas adequadas para o acolhimento de deslocados.
“Na verdade, serve porque não temos outra alternativa, mas temos que acabar com esta situação em que não temos mais alternativa. É preciso construir centros de acolhimento apropriados de maneira que a escola não seja sacrificada, de maneira que os alunos não tenham que ser sacrificados”, frisou.
Segundo o escritor, a ausência dessas infraestruturas leva a um duplo impacto negativo, afetando tanto as populações deslocadas, como o funcionamento normal do sistema educativo.
O escritor defendeu que esses centros podem ter uso multifuncional ao longo do ano, servindo atividades culturais, educativas e comunitárias, garantindo, assim, utilidade contínua e melhor aproveitamento dos recursos públicos.
Durante a intervenção, Mia Couto abordou também desafios do país, defendendo maior reflexão sobre políticas públicas e prioridades de desenvolvimento, num contexto marcado por vulnerabilidades sociais e económicas.




