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GABI FERNANDES ASSINALA 30 ANOS DE CARREIRA A SOLO E A CANTAR CRIOULO

 GABI FERNANDES ASSINALA 30 ANOS DE CARREIRA A SOLO E A CANTAR CRIOULO

Cantor Gabi Fernandes, um dos fundadores dos Irmãos Verdades, assinala 30 anos de carreira

O cantor Gabi Fernandes, um dos fundadores dos Irmãos Verdades, assinala 30 anos de carreira e o início de um projeto a solo com algumas composições em crioulo, homenageando as origens cabo-verdianas, enquanto prepara uma exposição das suas esculturas.

Tal como nas dezenas de canções que compôs, o feminino é um dos principais temas das esculturas de Gabi Fernandes, mais conhecido dos palcos e dos discos, que este ano completam 30 anos de vida.

A arte está-lhe no sangue. Herdou da mãe, a pintora Alice Fernandes, o gosto pelas tintas e o barro, e do pai o amor à terra, tendo na sua propriedade um terreno onde gosta de plantar e tratar dos animais.

É com “as mãos na terra, sem luvas” que muitas vezes amadurece algumas ideias para canções, que mais tarde terminam no estúdio.

Diz-se um artista de improviso, que tanto pode fazer um verso enquanto molda o barro, como a conduzir a caminho de um compromisso. E a canção tanto pode estar pronta em meia hora, como em seis meses. Tudo depende da “inspiração”.

Mas tenta sempre honrar os mestres com que aprendeu, primeiro no coro da igreja, e depois com nomes como Norberto Tavares, Paulino Vieira e, naturalmente, o Duo Ouro Negro, com quem começou nos Irmãos Verdades.

A separação do grupo ainda não foi totalmente digerida, mas recusa-se a alimentar polémicas, pelo menos nas redes sociais, e garante estar focado nesta nova fase da carreira.

Um projeto a solo, disse, irá permitir-lhe concretizar ideias que há muito acalentava, como cantar em crioulo.

No início da carreira, há 30 anos, as próprias editoras sugeriam que o grupo cantasse em português, para ter um público mais vasto.

Apesar de ter incluído algumas mornas em crioulo em vários álbuns, a verdade é que outros temas em português foram sobressaindo.

Mas o facto de a música africana nunca ter tido tamanha visibilidade, como agora, fê-lo avançar para o crioulo e não podia estar mais entusiasmado.

Os temas, esses, mantêm-se: “A mulher, o amor, o entendimento entre os seres e os homens”. Na música, tal como na escultura.

Com quatro temas novos e um ‘best off’ prontos a sair, Gabi Fernandes conta ter um novo álbum pronto até ao final do ano, mas até lá tem vários espetáculos agendados, em Portugal e no estrangeiro, nomeadamente em países lusófonos.

Na forja está uma exposição com as suas esculturas, em resposta ao desafio de vários amigos que não se cansam de o desafiar a mostrar esta outra faceta da sua arte.

E é o próprio cantor que reconhece que “está tudo interligado”: A música, os poemas das canções, o barro, as telas, as plantas, os frutos e os animais.

“A música e os poemas não seriam os mesmos sem esta ligação à arte. As coisas saem naturalmente, não se fabricam”, indicou.

Diz que vai continuar a compor como sempre fez, insistindo em histórias que podiam ser de qualquer pessoa, “histórias que as pessoas já viveram, estão a viver ou vão viver”.

No dia 20 de maio regressa ao Coliseu de Lisboa para atuar numa festa. À frente dos Irmãos Verdades, cantou naquele que foi o primeiro espetáculo de um grupo de música africana a tocar, sozinho, nesta sala da capital portuguesa.

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