QUANDO O ÚLTIMO CONTADOR DE HISTÓRIAS SE CALAR
Houve um tempo em que as noites eram diferentes. As famílias reuniam-se no quintal, debaixo das estrelas, e os mais velhos contavam histórias. Falavam de tempos difíceis, de tradições, de provérbios, de reis, de coragem e de valores que não estavam escritos em livros, mas gravados na memória de um povo.
Hoje, as luzes dos telemóveis substituíram muitas dessas rodas de conversa. Os jovens passam horas a navegar por conteúdos vindos de todas as partes do mundo, enquanto as histórias que nasceram dentro das suas próprias casas vão ficando para trás.
Os mais velhos são bibliotecas vivas. Cada ruga guarda uma experiência, cada palavra carrega um ensinamento, cada silêncio esconde uma memória que ajudou a construir a sociedade que conhecemos. No entanto, raramente paramos para ouvi-los. Vivemos com tanta pressa que esquecemos que a sabedoria não se encontra apenas na internet; encontra-se também nos olhos cansados de quem viveu mais do que nós.




